História do Curso de Licenciatura em Educação do Campo

O curso de Licenciatura em Educação do Campo, proposto pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi criado em 2013, em resposta à chamada do Ministério de Educação, por meio de ação integrada entre: Secretaria de Educação Superior; Secretaria de Educação Profissional e Tecnologia; Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, mediante Edital nº 2 SESU/SETEC/SECADI/MEC, de 31 de agosto de 2012.

O referido Edital, por meio de chamada pública para inscrição e seleção de Instituições Federais de Ensino Superior – IFES, estabeleceu os critérios para criação de cursos de Licenciatura em Educação do Campo, a serem desenvolvidos em 4 anos, na modalidade presencial, em Regime de Alternância entre Tempo-Universidade e Tempo-Comunidade, atendendo ao que estabelece o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo – PROCAMPO, em cumprimento à Resolução CNE/CEB n° 1, de 3/4/2002, ao Decreto nº 7.352, de 04/11/2010 e em consonância com o Programa Nacional de Educação do Campo – PRONACAMPO.

A formação pretendida focaliza a escola de Educação Básica do Campo e, preferencialmente, os profissionais que nela atuam, nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, sem possuírem a titulação mínima prevista na legislação educacional vigente. Essa proposta parte da concepção ampliada de educação, característica das populações do campo, que ultrapassa os muros institucionais e que acontece como práxis, de maneira concomitante nos cotidianos escolares, familiares e comunitários.

Nessa perspectiva, além da formação de professores de Educação Básica para atuar em escolas do campo de Mato Grosso do Sul (MS), o curso pretende provocar o encontro e o diálogo entre educadores que atuam em diferentes regiões geográficas, mediados pelos eixos curriculares, pelas atividades, pelos fóruns, pelas possibilidades de articulação entre o Tempo-Universidade e o Tempo-Comunidade.  Pretende-se que essa proposta fortaleça as experiências já consolidadas, aproxime os educadores e contribua para a construção coletiva de políticas públicas comprometidas com as escolas do campo do Estado.

A organização curricular está pautada na Pedagogia da Alternância e prevê períodos de Tempo-Universidade e períodos de Tempo-Comunidade. Os períodos de Tempo-Universidade, além da abordagem teórica dos conteúdos formativos, têm o objetivo de possibilitar o debate, as trocas, o encontro com diferentes linguagens (teatro, poesia, literatura, música, dança, artes plásticas, manifestações culturais) e a construção coletiva de propostas inovadoras para/com as escolas do campo em MS e suas comunidades. Considerando que esses períodos serão desenvolvidos em Campo Grande, capital do Estado, pretende-se estimular e facilitar o acesso dos alunos a eventos culturais (cinema, apresentações de  dança, teatro, concertos musicais, shows e outros) como “experiências vividas” (BENJAMIN, 1980), caminho para ampliar as concepções de arte e aprimorar o senso estético. Também nesses momentos será proporcionado o convívio com as novas tecnologias midiáticas.

Os períodos de Tempo-Comunidade, além das práticas político-pedagógicas planejadas e orientadas durante os momentos de Tempo-Universidade, serão desenvolvidos, preferencialmente, nas regiões de moradia dos alunos e nas escolas por eles indicadas e que aceitem compatilhar a experiência. No entanto, também têm a finalidade de intensificar o encontro entre os alunos que residem em diferentes locais, oportunizando que conheçam diversificadas experiências desenvolvidas no Estado por meio de visitas orientadas a escolas do campo com o objetivo de construir um diagnóstico consolidado e denso dos diferentes contextos da  Educação do Campo em MS. As atividades serão acompanhadas por docentes do curso que terão como objetivo orientar e facilitar o desempenho discente, avaliando o andamento dos Eixos e contribuindo para que o currículo e a proposta metodológica estejam em constante construção, com vistas a efetiva participação dos alunos. Esses docentes, enquanto interlocutores mais diretos e constantes, poderão contribuir para que os problemas encontrados pelos alunos sejam detectados e corrigidos com rapidez.

A organização curricular extrapola a concepção de disciplinas estanques e não articuladas entre si. Pretende-se que os professores atuem em conjunto, sentindo-se responsáveis pelos Eixos e disciplinas, mas atuando de maneira dialogada, para que as áreas de conhecimento se encontrem nas interfaces de suas especificidades. Atendendo ao que está preconizado no Edital, pretende-se que as áreas de formação a serem oferecidas sejam: Ciências Humanas e Sociais, Linguagens e Códigos, Matemática.