Pedagogia – Licenciatura

História do Curso

O primeiro Projeto de Curso de Pedagogia no CCHS/UFMS originou-se pela solicitação da Secretaria Estadual de Educação em atender uma demanda por cursos superiores na área pedagógica, em período noturno, registrada no Ofício nº. 6071/1030/SE/MS/1980. Essa clientela encontrava-se matriculada no 2º grau e eracomposta de 3.961 alunos, só no município de Campo Grande, o que permitia considerar como uma significativa procura às vagas oferecidas nos cursos universitários no período noturnos.

Em 21 de outubro de 1980, o Comitê de Integração e Coordenação Executiva, aprovou a criação do Curso de Graduação em Pedagogia com duas Habilitações: Magistério de 1º Grau – Séries Iniciais para o Ensino Fundamental e Magistério para Pré-escola, no Câmpus de Campo Grande, no período noturno, com a missão de formar 644 professores que atuavam nas Redes, estadual e municipal de ensino, no município de Campo Grande.

As propostas curriculares foram precedidas de discussões e contaram com subsídios provenientes dos modelos de cursos em funcionamento na UNIMEP (Piracicaba/SP), Universidade Federal de Pelotas /RS e da Universidade de Passo Fundo /RS. A primeira turma ingressou em 1981, no primeiro semestre letivo, com 30 vagas oferecidas no vestibular para Habilitação em Séries Iniciais do Ensino de 1º Grau e 30 vagas na Habilitação em Pré-Escola com ingresso no segundo semestre letivo. Em 1982, os currículos das habilitações foram unificados (Resolução COEPE nº 72/1982), passando a oferecer apenas uma Habilitação denominada: Magistério para a Pré-Escola e para Primeiras Séries do Ensino de 1º. Grau.

Em 9 de dezembro de 1983, durante a realização do I Seminário Interno do Curso de Pedagogia, o perfil do profissional dos egressos do Curso de Graduação em Pedagogia foi objeto de discussão no âmbito do evento, deliberando por uma proposta que privilegiasse uma formação “consciente, crítico, autônomo, inserido na realidade, capaz de promover mudanças e transformações sociais”. Pela Resolução nº 57/1983 COEPE a Estrutura Curricular amplia à formação acadêmica, criando a segunda Habilitação Magistério, focada para as Matérias Pedagógicas do Ensino de 2º Grau, Habilitação para o Magistério dos Anos Iniciais do Ensino de 1º Grau. O reconhecimento do Curso ocorreu em maio de 1984, por intermédio do Parecer de n.º 691, datado em 05 de outubro de 1984 e publicado, em 14 de novembro do mesmo ano, no Diário Oficial da União.

Buscando tornar coerente o perfil profissional, relativamente ao processo de formação, foram discutidos no V Seminário do Curso de Pedagogia (Anais: 1989, p. 27), os objetivos das disciplinas e ementas visando as possibilidades “interdisciplinares” do currículo, enquanto processos teóricos e metodológicos.

Entre 1984 e 1989, acadêmicos, docentes e conselhos universitários esbarraram em condições frágeis de funcionamento do Curso, no que se referia ao sistema de seleção, como o sistema de avaliação e, ainda, a realização das práticas de ensino e estágios supervisionados curriculares e o reconhecimento dos profissionais formados, por parte de órgãos de educação do estado e dos municípios.

Entre 1990 e 2002, o Curso passou por outras reestruturações curriculares, sempre no intuito de atender exigências da legislação superior, bem como atender um novo perfil profissional, ajustando-o às exigências sociais, históricas e políticas e, particularmente, as demandas da educação, na época, considerando as lutas desencadeadas a partir dos anos 1980, em torno da cidadania e democracia, constituinte, autonomia
universitária entre tantas outras.

Em 2003, o Departamento de Educação propôs dois Projetos Pedagógicos para o Curso de Graduação em Pedagogia: Licenciatura em Educação Infantil e Licenciatura: em Anos Iniciais do Ensino Fundamental, tendo como referencia o Decreto de criação dos Institutos Superiores de Educação, em instituições privadas, e a interpretação da LDBEN nº. 9.394/96, bem como nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a  formação de Professores da Educação Básica (Resolução CNE/CP nº. 01, de 18 de fevereiro de 2002) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº. 01, de 07 se abril de 1999), por um grupo de docentes do Curso. A organização curricular resultou de várias reuniões em que os professores, que argumentavam o referencial legal e à formação de professores para atuarem na Educação Básica, passando as bases epistemológicas a serem diluídas, em cada disciplina do Curso, o que não houve consenso.

No ano de 2005 os acadêmicos ingressaram no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) obtendo conceito 4. Essa nota justifica-se pelo mérito dos acadêmicos e do quadro de professores que do Curso com 95%, em média de doutores, sendo 50% destes atuando como pesquisadores na pós-graduação, em educação e psicologia. Porém, a superação assim compreendida, se deu pelo mérito dos acadêmicos, visto as dificuldades que enfrentam no ensino público, sendo muitos do ensino noturno, trabalhadores, bem como as próprias condições da universidade pública. Em 2007 e 2013 a Revista Guia do Estudante da Editora Abril, certificou o Curso de Graduação em Pedagogia com cinco estrelas em sua avaliação anual de cursos superiores.

Com base na Resolução CNE/CP nº. 15, de 1 de maio de 2006, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, Licenciatura, levaram os professores a discutir a outra restruturação curricular do Curso, que resultou em um projeto com o oferecimento da formação docência com bases na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de oportunizar aos acadêmicos a realização de núcleos de aprofundamentos nas áreas Educação Especial, Educação de Jovens e Adultos, Gestão Educacional e Educação e Trabalho.

As expectativas de formação e de perfil profissional do professor defendida pelos docentes levaram em conta, que a sociedade brasileira em suas condições históricas, ampliando suas próprias expectativas educacionais, apontando inúmeras possibilidades de atuação ao pedagogo no contexto social. Também, foi consenso entre os docentes que a formação proposta neste projeto pressupõe, não somente a formação do futuro
pedagogo que oportunize processos de democratização da educação e de exercício da cidadania nas instituições educativas, mas, também, para reconhecer e / ou participar da construção de relações político-sociais efetivas e não apenas burocrático-administrativas.

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